quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Osteoartrite x Fisioterapia

Osteoartrose é uma doença crônica que acomete as articulações, caracterizada pelo desgaste da cartilagem, causando dor, rigidez e limitação da funcionalidade articular. Nos achados radiológicos pode-se observar estreitamento do espaço articular, osteófitos, formações císticas e esclerose do osso subcondral.
A incidência da osteoartrose aumenta com a idade, atingindo articulações como joelhos, quadril, tornozelo, coluna vertebral, interfalangianas, etc. A causa pode ser explicada por alterações metabólicas, em que há um desequilíbrio relacionado a um aumento da atividade enzimática, destruindo o colágeno e consequentemente a articulação. Outro fator preponderante é o tipo de atividade que o indivíduo possui, pois atividades como esportes de alto impacto, favorecem para o desgaste articular, além dos fatores genéticos.
 A fisioterapia atua na osteoartrose melhorando as dores, diminuindo a rigidez e melhorando o movimento articular, prevenindo a perda da função e também a restrição ao leito. Quando a osteoartrose não é tratada, aumenta as chances do indivíduo ficar restrito ao leito, pois fica impedido de realizar movimentos devido a dor.
Os exercícios fisioterapêuticos tem o objetivo principal de estabilizar aquela articulação que apresenta uma deficiência ou instabilidade, para isso é adequado o fortalecimento muscular para devolver a estabilidade articular, dessa forma, haverá melhora tanto nos movimentos quanto na dor. O Pilates também tem um papel importante no tratamento dessa patologia, fortalece a musculatura proporcionando a estabilidade, além de outros benefícios.
Em alguns casos, é indicado a cirurgia para colocar uma prótese articular, principalmente de joelho e quadril. A cirurgia é indicada para osteoartrose severa que limita o indivíduo reduzindo a qualidade de vida e sua independência funcional.
Portanto, você que tem essa patologia seja em qualquer articulação, procure tratamento, previna-se! A osteoartrose é uma doença crônica progressiva.


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

EFEITOS DA APLICAÇÃO DA EPAP (EXPIRATORY POSITIVE AIRWAY PRESSURE) SOBRE A TOLERÂNCIA AO ESFORÇO EM PACIENTES PORTADORES DE INSUFICIÊNCIA CARDÍACA

Claudia Thofehrn1
Mario Sérgio Soares de Azeredo
Coutinho2
Clarissa Borguezan Daros3
Amberson Vieira de Assis3
Renata Moraes de Lima4
Christiani Decker Batista Bonin5
Magnus Benetti6

RESUMO
Introdução: Novas abordagens terapêuticas que objetivam melhorar a sensação de dispneia e fadiga
em pacientes com insuficiência cardíaca, como a aplicação de pressão positiva expiratória nas vias aéreas
(EPAP), podem ser aplicadas na tentativa de melhorar a capacidade funcional e a qualidade de vida. Objetivo: Avaliar os efeitos da utilização da EPAP ( Expiratory Positive Airway Pressure) durante o esforço em indivíduos portadores de IC classe funcional II e III (NYHA). Métodos: Dos 390 pacientes, foram selecionados 28 com FEVE< 40%. O Teste de Caminhada de seis minutos (TC6’) foi realizado três vezes: o primeiro para a familiarização, um com a máscara e o outro sem a máscara de EPAP, sendo válido os dois últimos. A comparação entre os dados obtidos foi realizada por meio de teste t de Student pareado ou teste de Wilcoxon, conforme a normalidade dos dados. Resultados: a percepção de esforço foi maior após a caminhada com a utilização da máscara quando comparado na ausência da máscara. Houve elevação significativa na saturação de oxigênio quando os pacientes estavam usando a máscara de EPAP. Conclusão: O uso da máscara de EPAP aumenta a percepção de esforço e o trabalho ventilatório, porém, não aumentou a distância percorrida no TC6, sendo sua aplicabilidade questionável em programas de reabilitação cardiovascular.
Palavras-chave: insuficiência cardíaca, pressão positiva expiratória, exercício.

ABSTRACT
Introduction: New therapeutic approaches that aim to improve the sensation of dyspnea and fatigue in patients with heart failure, as the application of positive pressure airway expiratory (EPAP) Expiratory Positive Airway Pressure should be tested in an attempt to improve functional capacity and quality of life. Objective: To evaluate the effects of the use of EPAP during exercise in patients with heart failure functional class II and III (NYHA). Methods: Of 390 patients, 28 were selected with LVEF <40%. The Walk Test six minutes (6-MWT) was performed three times with and without the EPAP, reflecting the greater distance in the analysis. The comparison between the data obtained was performed by paired t test or Wilcoxon test as the normality of the data. Results: The use of EPAP increased volume without significant minutes, but the perceived exertion was higher after the walk with the use of the mask when compared in the absence of a mask. There was a significant increase in oxygen saturation compared with the group that did not use. There was no improvement in distance walked in 6-MWT with the use of EPAP. Conclusion: Use of EPAP mask increases the perception of ventilatory effort and work, but its applicability in routine cardiac rehabilitation programs based on our preliminary data is questionable.
Keywords: heart failure, expiratory positive pressure airway, exercise.

ARTIGO COMPLETO: 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Atuação fisioterapêutica em portadores de Lúpus Eritematoso Sistêmico

O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune de etiologia desconhecida, caracterizada por inflamação crônica sistêmica, acomete mais jovens na faixa etária de 20 a 45 anos, com maior prevalência no sexo feminino. Acredita-se que os fatores hormonais, ambientais e genéticos tenham influência na susceptividade da doença. O fato da patologia afetar mais as mulheres, deve-se aos fatores hormonais, principalmente nessa faixa etária, a qual ocorre a maior produção hormonal.

Os sinais e sintomas  podem aparecer em qualquer fase da doença, entre eles podemos destacar: febre, artralgias, perda de apetite, mialgias, lesão renal, hemorragia pulmonar, serosite, lesões hematológicas e imunológicas, anemia, fotossensibilidade, entre outros. Esses sintomas podem surgir isoladamente ou em conjunto. Uma característica bem comum em indivíduos portadores é a presença de manchas avermelhadas na maçãs dos rostos e no dorso do nariz, denominadas lesões em asa de borboleta.

O tratamento farmacológico, com utilização de corticoides e imunossupressores, aliado a fisioterapia tem aumentado a sobrevida desses portadores. A fisioterapia visa prevenir problemas e restaurar o equilíbrio osteomuscular. O paciente deve sempre fazer exercícios, para prevenir que a musculatura fique hipotrofiada. Alongamentos, fortalecimentos musculares e medidas analgésicas são recomendados. Devem-se trabalhar todas as articulações do corpo, e estar sempre atento ao quadro clínico do paciente.

Um dos motivos mais importantes para o tratamento fisioterapêutico é manter habilidade para as atividades funcionais, o que depende da capacidade física do indivíduo, sujeita a muitas variáveis, como, alterações na função cardiorrespiratória, força muscular e flexibilidade. Exercícios prescritos corretamente tem o poder de ajudar na remissão da doença.Um dos sintomas mais comuns que os pacientes com LES apresentam é a fadiga generalizada que pode limitar suas atividades ao longo do dia.

Os programas de exercícios para o LES devem enfatizar a força e a resistência, com exercícios aeróbicos de baixo impacto. Os programas devem incluir fortalecimentos isotônicos e isométricos da musculatura adjacente as grandes articulações e manutenção da amplitude de movimento, mas se a necrose avascular estiver presente, apenas os exercícios isométricos são indicados.

No tratamento fisioterapêutico de pacientes com LES, diversas condições devem ser esclarecidas. Os pacientes nunca serão absolutamente iguais, principalmente quando se tratarem de pacientes lúpicos. O conhecimento por parte do fisioterapeuta sobre a patologia deve se extremamente abrangente. É importante a aferição dos sinais vitais diariamente nos pacientes.


Fontes:
www.fisioweb.com.br
Peres et al., Fadiga nos portadores de lupus eritematoso sistêmico sob intervenção fisioterapêutica. O mundo da saúde, São Paulo-SP, 2006.



segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Estímulos visuais na marcha de portadores na doença de Parkinson

A doença de Parkinson (DP) é caracterizada por uma síndrome, decorrente da degeneração de neurônios dopaminérgicos nos núcleos da base, principalmente no putâmen, ocorrendo também uma redução no número de receptores da dopamina do Striatum. As manifestações clínicas são: bradicinesia, acinesia (dificuldade de iniciar o movimento), rigidez e tremor de repouso, assim apresentando esses sinais, os indivíduos apresentam consequentemente, instabilidade postural, passos curtos, favorecendo a ocorrência de quedas e suas complicações subsequentes.

Atualmente, num programa de reabilitação para pacientes com DP, é introduzido o treino de marcha com estímulos visuais, esta técnica tem mostrado efeitos satisfatórios no desempenho motor desses indivíduos. A maior dificuldade para pessoas com DP no momento da marcha é caminhar, pois os passos são curtos, girar 360º, associar obstáculos durante a marcha, como pisos irregulares em ambientes complexos. 
Diversos estudos na literatura, mostram o efeito da marcha com estímulos visuais, alguns utilizaram bengalas invertidas, outros utilizaram marcações no solo. Todos mostraram uma melhoria no padrão da marcha nesses indivíduos. A sinalização demarcada no solo, é a forma mais comum de estímulo visual, essa deve ser utilizada numa cor que contraste com a cor do solo, para que chame a atenção do parkinsoniano.

As pistas visuais são utilizadas para desviar a função dos núcleos da base para regular a função motora. Essas pistas têm acesso aos mecanismos do controle motor, envolvendo o aprendizado e o recrutamento de sinais adicionais, que levam a um desvio na preparação do movimento no circuito núcleos da base à área suplementar motora para  a área visual-motora, cerebelo e córtex pré-motor. Dessa forma, é possível melhorar a cadência da marcha.

Portanto, é importante introduzir num programa de reabilitação o treino de marcha com estímulos visuais para pacientes com DP , para melhorar o desempenho funcional desses pacientes, assim como a qualidade de vida.




Fonte: Dias et al., Treino de marcha com pistas visuais no paciente com doença de Parkinson. Rev Fisioterapia em movimento, Curitiba -PR, 2005.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A técnica de Crochetagem

A Crochetagem é uma técnica utilizada exclusivamente pelo fisioterapeuta, que surgiu na Suécia através do fisioterapeuta Kurt Ekman na década de 70.

É um método de tratamento não invasivo que permite liberar aderências entre os tecidos  para as algias mecânicas do aparelho locomotor, pela destruição das aderências e dos corpúsculos irritativos mio-aponeuróticos através de ganchos (crochets) de diferentes curvaturas. 

  
A aplicação da Crochetagem gera um aumento da circulação sanguínea e, provavelmente, da circulação linfática na área aplicada. O efeito de analgesia é praticamente imediato, proporcionando melhora da função que estava limitada. Por isso, essa técnica vem sendo amplamente utilizada por Fisioterapeutas Esportivos em diversas modalidades, inclusive nas Lutas.

Indicações:
  • Aderências geradas por cicatrizes
  • Aderências geradas por fraturas
  • Tensões musculares
  • Miosites, epicondilites, tendinites, pubalgia, lombalgia, torcicolo, ciatalgia, dor de cabeça, neuromas, ombro congelado, fascites, tensão na ATM, entre outras questões ortopédicas.
A técnica consiste em interpor a espátula do crochet entre as separações musculares ou ligamentares, com o objetivo de restaurar os planos de deslizamento tecidual.
Sua aplicação segue os seguintes princípios:

1) Um conhecimento adequado da anatomia palpatória de cada região, que permita a identificação precisa dos tecidos de separação envolvidos

2) Um exame manual minucioso para localizar alterações na textura devido a aderências teciduais

3) Abordagem centrípeta da lesão e respeito às regras de utilização dos crochets, tanto pela mão instrumental quanto pela mão palpatória




Para saber mais clique aqui >> AssociaçãoBrasileira de Crochetagem 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Exoesqueleto será testado no Brasil ate novembro

O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis desenvolveu um equipamento que pode fazer paraplégico andar.

Dez voluntários participarão do experimento, que será feito na AACD.
O neurocientista anunciou que vai iniciar no país, entre o fim de outubro e o início de novembro, testes com humanos do exoesqueleto que, segundo o pesquisador, fará um jovem paraplégico dar o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2014.

O pesquisador afirmou que pequenos testes já foram feitos com humanos, com partes do equipamento. "No Brasil, os testes vão começar entre o fim de outubro e o começo de novembro. Já testamos as articulações, os motores e o controle neural, e agora tudo isso está sendo montado, finalizado. Na simulação, [o exoesqueleto] funcionou bem, mas agora o desafio é colocar a veste completa, com articulações e movimentos", explicou.
Segundo Nicolelis, cerca de cem cientistas americanos, europeus e brasileiros trabalham no Walk Again Project (Projeto Andar de Novo). O projeto é uma parceria entre a Universidade Duke e instituições de Lausanne (na Suíça), Berlim e Munique (ambas na Alemanha), Natal e São Paulo.

O exoesqueleto é um aparelho que envolve os membros paralisados – no caso de um paraplégico, as pernas. Ele pode ser conectado diretamente ao cérebro do paciente, que então controlaria o equipamento como se fosse parte de seu próprio corpo. Dessa forma, seria perfeitamente possível que um paraplégico chutasse uma bola.
A técnica faz parte de uma linha de pesquisa conhecida como "interface cérebro-máquina", com a qual Nicolelis já obteve resultados internacionalmente relevantes. Em um dos mais importantes, o neurocientista fez com que macacos não só controlassem uma mão virtual, como também sentissem uma espécie de tato quando exerciam a atividade.

Experimentos com voluntários serão feitos na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) em São Paulo, onde também passará a funcionar até o fim deste mês um laboratório dirigido por Nicolelis.

Veja o vídeo >> aqui 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Plasticidade pós lesão cerebral

A neuroplasticidade é a capacidade de adaptação do sistema nervoso, às mudanças ocorrem no ambiente. Ela é maior na infância, e declina gradativamente, sem se extinguir na fase adulta, ocorre tanto no hemisfério intacto como o lesionado. A plasticidade acontece não somente no córtex, como também em regiões do tálamo e tronco cerebral.
A recuperação funcional acontece,  devido a processos de reorganização cortical, em virtude da resposta ao aprendizado e à experiência a determinadas atividades. Ocorrem alterações anatômicas como, brotamento axonal, dendrítico e mudanças fisiológicas, como modificações na sensitividade de determinados locais para determinados neurotransmissores. O mecanismo de recuperação acontece por todo o cérebro. Sabe-se que o cerebelo tem a capacidade de compensar um processamento modificado resultante de uma lesão cortical.
Tem sido demonstrado, que a recuperação está associada à ativação bilateral do sistema motor, com o uso de vias ipsilaterais e recrutamento de áreas motoras adicionais. A ativação da atenção e intenção também são importantes para o processo. Um exemplo disso são os neurônios relacionados a ativação do putâmen que são mais ativos em relação a intenção do movimento e a atenção do executor.
Alguns fatores podem influenciar nesse processo, como os fatores ambientais e de aprendizagem que desenvolvem capacidades específicas pela alteração da efetividade das vias preexistentes. No aprendizado de uma atividade motora, o aprendiz precisa combinar movimentos apropriados dentro de um padrão ou sinergia, isso assegura um desempenho bem-sucedido. Á prática habilita o movimento a tornar-se mais suave, coordenado e mais rápido de modo geral.
A base fisiológica do aprendizado inclui modificação de sinapses. Embora ocorra alterações plásticas que representam o aprendizado pareçam estar localizados em neurônios específicos, estes estão distribuídos de forma mais ampla pelo sistema nervoso cerebral. Esta distribuição neural contribui para a habilidade dos indivíduos em reaprender tarefas após uma lesão cerebral.
Alguns fatores podem causar interrupção dessa remodelagem sináptica, como eventos de vida diária, incluindo estimulação sensorial, privação e aprendizado. A  depressão, a falta de motivação e um ambiente pouco estimulante podem alterar a neuroplasticidade e dificultar a recuperação.


Fonte: Car.J; Shepherd.R. Reabilitação Neurológica: Otimizando o Desempenho Motor. Ed. Manole, 1º ed, Barueri, São Paulo-SP,2008.